sábado, 28 de março de 2015

santa rita durão

"a chuva chegou aqui

e fechou os meus olhos"

quinta-feira, 26 de março de 2015

a pele, que hábito

"escrevo sem dom
pra quem quero
passos de gato
sem deixar vestígios.

escrevo escuro
minha mão amante
separa o limo da pele.

inscrevo
escrito
periódico
as coisas que balançam têm vida.

o tramo 
sem folhas sem linha
corro
os passos são céus.

quem me observa?
3 olhos
quem me tateia?
indi_fere alcança.

escrevo sem parar
à alguém se há.

o corpo baqueia
pede missa
trabalho escravo
de tanta gente de ninguém.

escrevo, de quem falo
abre o ventre
inscrita
tonteia

vai ser difícil sair de mim
com tanto corpo carne à frente
a resistência é um tempo sombra
desaparece quando sai.

um vez mais escrevo
sozinho parado dentro de mim
um desenho bambolê permanece
a vida_agora."

quarta-feira, 25 de março de 2015

toóti #54

"não entendo as distancias
e nem elas a elas mesmo.
vontade de morde-la na pontinha
onde o tempo emaranha 
e esquece de dormir longo"

quinta-feira, 19 de março de 2015

don´t cry

 " montanha
em um fino papel mantega
       queimado na ponta 
                          alta

atras,
          transparente
seu rosto sorri,
      balanços vazios
o vento corta o papel
              e me toca o rosto."

segunda-feira, 16 de março de 2015

la em baixo a rua faz sentido pra alguem

panelas,                                                            buzinas
cassarolas                                                          cozidos
                                                                           molho e toalha
ampolas    
e muralhas                                           

                                                  alguem parou de frente de dentro de mim
         
                    ˜animais furiosos˜



                                           agora vou ao mercado
                                          pois a rua esta livre
                                              sem rumo
                                                                  os animais furiosos.

aquele dia

"aquele dia você me disse que estava apaixonando
e eu não tinha nada com você
nada assim brincos, cuecas e papéis assinados.
fiquei sentido,
meio assim
pássaros, azul e bicicletas na descida"


deus com k

"as fábricas jorram chaminés,
o céu tenro e areado,
pré vazio.
brasiguayos hipnogamáticos:
-oh, a que devo essa ilustre presença,
fim de tarde de carne?
entregue na grama
facho laranja
prazer parece querer nascer.

sou tokyo,
todo tokyo,
minha lingua é russa
e a tarde é nossa,
dilatado centenário
cor brinco ração.
que a síria seja ali fora."

ps. talvez a gasolina não dê!

sábado, 14 de março de 2015

sexta-feira, 13 de março de 2015

poésis pós humanidade #3


intruso de mim
o que eu quero?

ter cheiro de arvore
acordar e lembrar
ficar vazio.

a paz agora intocável.

quarta-feira, 11 de março de 2015

charrirous dos anos 90


coisa de louco II esses caras

segunda-feira, 9 de março de 2015

filho de mim, saia suja arrasta perna no chão

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toóti #64

"estado instaurado
violência lenta 5 min
o corpo obedece aos pedágios da alma
costas fogo sonho
nunca esquecer coração

estava dormindo para te ver rindo
e acordei só amanhã"

domingo, 8 de março de 2015

right nau



"fui embora no lombo do cavalo, nas costa de meu pai"

quinta-feira, 5 de março de 2015

pra janta

https://www.youtube.com/watch?v=5Brb0v1QZsM

a la carte


"três dias sem você. é hora de ligar o corpo no tranco"

quarta-feira, 4 de março de 2015

do caderno #8


morrendo hoje pela manhã,
meus olhos arderam tranquilas.

domingo, 1 de março de 2015

dentro do onibus, de volta pra casa

tudo  acaba
mesmo quando todo mar bate
risca divisas
cheias de gente que se t(r)ocam

tudo acaba
mesmo quando o ultimo infeliz
perder um dente
no lábio da amada

tudo acaba
seja ontem olhos ardem
testemunhas de um feito
chão chafariz bobo

tudo acaba
no mais feroz bicho
que dorme sem filho

tudo quem acaba
somos o duro céu
peito nós cobalto da lua
sem fim hoje

tudo tudo acaba
e não é bobagem
lindo pastagem rubi
uma gota viaja
sem dor no chão acaba

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

epitáfio feliz

"só a pontinha dura"

"grama tem outra cor"

"o homem da motocicleta nunca mais foi embora"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

conto de fadas


caraoquê #49

"um pedaço do corpo jogo no chão
é quente

vivendo em volta do nanquim
sou um rabisco de gente

parece que minha metade mulher
se foi na  chuva"

domingo, 15 de fevereiro de 2015

agora mesmo

não sou seu

nem a mimesmo pertenço

que escolha temos?

a não ser divisarmos a abertura do outro

sábado, 14 de fevereiro de 2015

gostar de gostar

[sob minha religiosidade]

"colchão é deus e essa matéria informe e vibrante que nos envolve é a kama"



ps. pantorrilhas em choque

haikai de ninguem

"no final do seu corpo, meu pé, parado.
café da manhã vazia
a chuva nunca produziu tanta felicidade"


ps. desenhando com que sai de dentro do corpo

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

toóti #45 + lola

"olhando nos olhos, 
o erro é um passo profundo"

(caderno  todo pintado informe. um desenho no meio, limpo, simples e um ponto rabiscado vermelho na testa)

"magia desconexa do livre, controle histórico irregular"

PS- muita nevoa no lugar. ve-se dois corpos. poucos movimentos. sala vazia, cheia de nevoa. foco caminhando, encontra uma placa.






INSEGURO, CAMINHANDO PRO AMOR SOLITÁRIO

domingo, 8 de fevereiro de 2015

genes militares

"vamos para as ruas, escutar os cavalos deslizarem suas patas pelas avenidas!"

coronel Trotman, 
esbravejando aos seus soldados,
 depois de um lampejo de pura luz

amigos escritores #6

"admitamos: essa não é uma tarefa fácil. esse novo homem que nasce ao nosso redor e em nosso próprio interior de fato carece de mãos. ele não lida mais com as coisas, e por isso não se pode mais falar de suas ações concretas, de sua práxis ou mesmo de seu trabalho. o que lhe resta das mãos são apenas as pontas dos dedos, que pressionam o teclado para operar com símbolos. o novo homem não é mais uma pessoa de ações concretas, mas sim um performer: homo ludens, e não homo faber. para ele, a vida deixou de ser um drama e passou a ser um espetáculo. não se trata mais de ações, e sim de sensações. o novo homem não quer ter ou fazer, ele  quer vivenciar. ele deseja experimentar, conhecer e, sobretudo, desfrutar. por não estar interessado nas coisas, ele não tem problemas. em lugar de problemas, tem programas. e mesmo assim continua sendo um homem: vai morrer e sabe disso. nós morremos de coisas como problemas insolúveis, e ele morre de não-coisas (inapalpáveis e inapreensíveis) como programas errados. essas reflexões permitem que nos aproximemos dele. a irrupção da não-coisa em nosso mundo consiste numa guinada radical, que não atingirá a disposição básica da existência humana, o ser para a morte. seja a morte considerada como  a ultima coisa ou como uma não-coisa."

trecho do capitulo a não coisa (1) de O Mundo Codificado / Vilém Flusser

antes do toque matinal

hoje vou assim
vestido com as melhores casacas
curto de palavras, mas bem maneiro
encostando nos andaimes
fazendo a sombra friccionar.

(tocar-la)
faber informa

organizado dentro de mim
colagem:cintiaribas

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

homenagem a rotina

uma curva de rua
dois gatos novos escalando o sofá
sono de criança no quarto

rotina, genia e rustica

um quadro no chão
tannat
o forno só funciona no fundo

à rotina, mestra e informa (always)

a rua sempre sozinha
um clássico de futebol
24 horas de olhos purinho abertos

rotina, vejo a lua com chuva
me dedicque um tempo?
um emirado na minha sopa

rotina em vida, a famosa curva de rio

amanhã cedo não sei
amanhã bem sedo
rotina

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

inalcançavel #68

                                     lua,                                   distante presença.


O



séu

quebra cabeça # 4

ferro

noite

vermelho 


ps.quatro garrafas cheias de água com talos de rosa rosa vermelha

sábado, 31 de janeiro de 2015

toóti

"desacelerar atuante"

poderia ser um minisérie em 4 capítulos, mas é um estado em necessidade.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

hoje de manhã

pra você
que enterra a saudade de ser
pitanga triste
musica inunda
fim de chimarrão fraco e frio
a vida é estar solto
quase um caramujo solto do avião
nos fechemos nesse quarto
que a manhã passa

toóti # 487

esse três homens é meu irmão
vive longe dentro de mim
seu nome é empenho tesouro
hoje estou te amando




como sempre te amei
salve você e eu
nessa ode da vida

sobre procurar casas

cada escolha é um abandono
resta a ser
observar e estar mais en volta de
\
mais feliz que chafariz em transe
\
o dia é como a boca da casa da formiga, um labirinto não visto
\
não fui descoberto, estou nú
\
sigo um fluxo desenganado
mais solto das coisas
a interessância está em todo lugar
\
possibilidades abertas a cada porta

domingo, 11 de janeiro de 2015

teatro chamado vida

primeiro ato.
quando foi que tudo isso aconteceu? meu corpo não é mais meu, mas continuo pilotando a nave. e é quando estou esquecido que a sensação de inteiro me vem, inteira. solidão que milagre. 

segundo ato.
acorda, arruma as coisas, nem toma um chimarrão e vai embora.solidão um pertence.vamos esperar que o sol faça alguma coisa pela gente, que seja apagar a luz do dia, pra noite, esse pertence, nos deixe sozinhos.

terceiro até logo
é longe. meus olhos miados não enxergam nada mais além do corpo que testemunho. (aqui existem vários finais)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Depositos de nenes




não quero escrever, mas a puta queu pariu, vou escrevendo.

domingo, 4 de janeiro de 2015

a cada dos Budas Ditosos

minha forte atração pelos santos
é de alguem que me perdoe.

 {joão batista e eu}
 {a troca / minha filha volte pra casa}
{sem culpa, feeling like móises}

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

pros seus ouvido


pra pensar em alguem, 
esvaziar. 
pra pensar em alguem.
encher.

https://www.youtube.com/watch?v=zKf_T7qiJe0

três tristezas sobre o céu

"tentar entender o por do sol 
é descansar o horizonte"

"cheio de nuvens,
vazio céu"

"deixei meus olhos colados aqui
esse fim de tarde
é um filho laranja"


ps. qualquer fim de tarde

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

sem culpa

percorre um sentido de falta,
um vazio você.
brisa noite chuva
uma puta vontade de te ver,
sem poesia nenhuma
só carne, só dia,
mas vai mais 30 dias
preu me acostumar,
a não ser que corro agora,
mas é bom aprender sem você.




ps. mato tua vontade na escrita.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

sobre o estado do corpo

hoje é natal. geada e verão.


já abasteci o que o dinho pediu. seis sacas.




o papai noel gira feito loco. perdeu nosso endereço endereço.


"pratos cheios"



alguém ajude esse bueno homem, pois estamos cuidando dos cachorros.



ps. sua carta ainda não chegou

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

soóti **

jazz me coloca in a mood. de estar sentado. de escrever. de lembrar de lembranças. de voltar a escrever jaaz me coloca in a mood. modos outros. pela mãos dos outros jazz me coloca inamood.

agora mesmo

100 pés de profundidade
sapatearam no meio peito
cama longa
a noite é geada e verão

segunda-feira, 13 de maio de 2013

soóti

a máscara me olha, intacta, parada.
veio de outro lugar. minha casa é desconhecida pra ela.
mas imóvel, ela percebe, observa, traz a realidade de suas cores pra sala.
ela me lembra eu, dentro de ônibus, fim de tarde laranjado.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Hoje a tarde

volto,
a partir de hoje volto
confuso,
rindo,
eu,
volto,
a partir de hoje volto.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

estou longe



estou dentro de mim

sexta-feira, 1 de julho de 2011

invenção

«Toco a tua boca.
Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha na tua cara, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão na tua cara e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exactamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.
Olhas-me, de perto me olhas, cada vez mais de perto, e então brincamos aos ciclopes, olhando-nos cada vez mais de perto. Os olhos agigantam-se, aproximam-se entre si, sobrepõem-se, e os ciclopes olham-se, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam sem vontade, mordendo-se com os lábios, quase não apoiando a língua nos dentes, brincando nos seus espaços onde um ar pesado vai e vem com um perfume velho e um silêncio. Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura. E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água.»

[in O Jogo de Amarelinha (Rayuela), de Julio Cortázar

quinta-feira, 16 de junho de 2011

agorinha

"mozart me agita demais da conta"

domingo, 12 de junho de 2011

jogo da amarelinha

"não se trata de panteísmo, 
ilusão deliciosa, 
queda para cima
 num 
 céu incendiado à beira do mar"

hoje a tarde

"os pais crescem junto com seus filhos"